sábado, 3 de março de 2012

Mensagem :: Os três crivos

OS  TRÊS  CRIVOS
Irmão X
      
           ...Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:
         - Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular...
         - Espera!... ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?
         -Três crivos?! – perguntou o visitante, espantado.
         - Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro, é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?
         - Bem, ponderou o interlocutor, assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e... então...
         - Exato. Decerto peineiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar?
         Hesitando, o homem replicou:
         - Isso não!... Muito pelo contrário...
         - Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo: o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
         - Útil?!... – aduziu o visitante ainda agitado.
         – Útil não é...
         - Bem – rematou o filósofo num sorriso, - se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificações para nós...
         Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência...
 (De “Aulas da Vida”, de Francisco Cândido Xavier) 


 

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