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quinta-feira, 7 de junho de 2012

A importância das pessoas ::

Os estranhos e os familiares :: 

Aquela mulher estava muito apressada. Ia quase correndo pela rua e de repente trombou com um estranho.
- Oh, me desculpe por favor", falou imediatamente.
E o estranho logo disse: ah, desculpe-me também, eu simplesmente não a vi!
Ambos foram muito educados, um com o outro, a mulher e o estranho.
Então, se despediram e cada um foi para o seu lado.
Mais tarde, naquele mesmo dia, a mulher estava fazendo o jantar e seu filho parou ao seu lado tão silencioso que ela nem o percebeu. E quando se virou para pegar algo, levou um susto e deu a maior bronca no menino.
- Saia do meu caminho, filho! Não tem o que fazer para ficar aí parado?
Ela disse aquilo com tanta aspereza que o filho foi embora, certamente com seu pequeno coração partido. Ela nem imaginou o quanto havia sido rude com ele.
Quando foi se deitar, sua consciência começou a acusá-la.
Como podia ter sido tão delicada e cortês com um estranho e tão indelicada com o próprio filho!.
Não conseguia conciliar o sono e levantou-se para tomar um copo d'água. Seu coração ficou apertado quando viu, ao lado da porta, algumas flores e um bilhete do filho, com os seguintes dizeres:
- Mamãe, estas flores são para você. Eu as encontrei no jardim e as colhi porque as achei tão bonitas como você!
A mãe sentiu o coração apertado quando soube o motivo pelo qual o filho estava parado ao seu lado na hora em que ela o expulsou da cozinha.
Com vergonha de si mesma, dirigiu-se ao quarto do garoto que dormia, ajoelhou-se ao lado da cama, passou a mão em seu rosto e falou com ternura: acorde filhinho, acorde. Estas são as flores que você pegou para mim?
E o menino, um tanto sonolento, respondeu: sim, mamãe, eu mesmo as escolhi. A cor-de-rosa, a amarela e a azul. Eu sabia que você iria gostar, especialmente da azul. E eu fiquei quietinho ao seu lado para não estragar a surpresa, mas acabei assustando você. Mesmo sabendo que você não fez por mal, mamãe, não consegui conter as lágrimas que rolavam em meu rosto.
- Filho, eu sinto muito pela maneira como agi hoje. Eu não devia ter gritado com você daquela maneira.
- Ah mamãe, não tem problema, eu amo você mesmo assim!
- Eu também o amo, filho. E adorei as flores, especialmente a azul. 
Cenas como essa são muito comuns em nosso dia-a-dia.
Tratamos os estranhos com tanta delicadeza que passamos por pessoas bem educadas.
No entanto, dentro de casa, no trato com os familiares às vezes somos rudes e intolerantes.
Importante fazer uma análise de como temos nos comportado num e noutro caso, para que não nos enganemos sobre a nossa verdadeira situação moral.
E, nesse caso, o que vale mesmo é o nosso comportamento dentro do lar. Essa é a nossa verdadeira identidade, pois a que usamos com os estranhos é apenas o verniz social do qual lançamos mão quando nos convém. 
Pense nisso! 
A família é abençoada escola de educação moral e espiritual. Oficina santificante onde se lapidam caracteres. Laboratório superior em que se elaboram sentimentos, estruturam aspirações, refinam ideais.
É na família que começa a obra de fraternidade que se estenderá como fraternidade geral, junto à sociedade.
Pense nisso!
 (Equipe de Redação do Momento Espírita, baseado em história de autor desconhecido)

A importância das pessoas ::

 Quadro Familiar

Uma cena, como uma pintura, desenha-se à nossa frente: um homem compenetrado, pai de família, sentado em sua cadeira preferida, estudando para a fase final de seu doutorado.
No ambiente tranqüilo, calado, ouve-se então alguns passos apressados e leves: era Sarah, sua filhinha.
Papai, você quer ver meu desenho? – perguntou ela, com brilho nos olhos.
Sem olhar para ela, o pai logo respondeu, com calma:
Sarah, papai está ocupado. Volte um pouco mais tarde, querida.
Realmente ele estava ocupado, o trabalho de uma semana inteira precisava ser feito em apenas um fim de semana.
Dez minutos depois, ela volta à biblioteca, dizendo: papai, me deixa mostrar o meu desenho?
Sarah, meu amor, volte mais tarde. Isto que estou fazendo é importante – respondeu ele.
Três minutos depois ela entra novamente, fica à um palmo do nariz do pai e fala com todo poder que um comandante de cinco anos de idade poderia conseguir:
Você quer ver ou não?
Não, eu não quero – retorquiu o homem, sem pensar muito no que havia dito.
Com isso, então, ela zuniu para fora e o deixou só.
E de alguma maneira, estando só naquele momento, ele não estava tão satisfeito quanto pensou que ficaria.
Sentiu-se como que puxado, e foi até a porta da frente.
Sarah! – ele chamou. – você poderia entrar um minuto, por favor? Papai gostaria de ver o seu desenho.
Ela entrou sem reclamações e se atirou em seu colo.
Era um grande quadro. Ela lhe deu até um título. No alto, com sua melhor letra, estava escrito: “nossa família”.
Explique-me o quadro. – pediu ele a ela.
Com os pequeninos dedos de sua pequenina mão, ela descreveu:
Aqui é a mamãe (uma figura de palito com cabelo longo, amarelo e ondulado); aqui sou eu, do lado de mamãe; aqui é Katie (nosso cachorro); e aqui é Missy (a pequenina irmã dela).
Adorei seu desenho, querida – elogiou o pai, sorrindo vou pendurar na parede da sala de jantar, e toda noite quando eu voltar para casa eu vou olhar para ele.
Ela sorriu de orelha a orelha e foi brincar lá fora, enquanto o pai voltava aos estudos.
Mas, por alguma razão, ele manteve a leitura no mesmo parágrafo repetidamente. Algo o deixava intranqüilo. Algo sobre o desenho de Sarah. Alguma coisa estava faltando.
Ele foi então até a porta da frente e voltou a chamar a filhinha.
Posso ver seu desenho novamente?
Ela o apanhou rapidamente, e logo já estava no colo do pai, animada.
Foi então que ele fez uma pergunta para Sarah, da qual não estava certo de que gostaria de ouvir a resposta:
Querida... tem a mamãe, e Sarah, e Missy, e até Katie em seu desenho. E tem também sol, e nossa casa e muitos pássaros. Mas Sarah, onde está seu papai?
Rapidamente então ela respondeu, nem sequer imaginando a lição que estava prestes a dar a seu pai:
Você está na biblioteca!
Com aquela declaração simples, Sarah fez parar o tempo para seu pai. Erguendo-a suavemente, ele a mandou de volta para brincar ao sol da primavera.
Em seguida afundou-se em sua cadeira, com a cabeça girando. Aquela simples frase voltava a ecoar em seu coração: “você está na biblioteca!”
Algumas semanas se passaram, e ele tornou-se doutor.
Então, certa noite, ainda com o coração apertado, conversando com sua esposa antes de dormir, fez-lhe a seguinte pergunta:
Bárbara... eu quero voltar para casa. Posso?
Vinte segundos de silêncio se seguiram. Parecia que ele havia prendido seu fôlego por mais de uma hora.
Gary, disse a esposa cuidadosamente. – as meninas e eu o amamos muito. Nós o queremos em casa. Mas você não esteve aqui! Eu me senti como pai e mãe por muito tempo!
E aquela era a verdade clara, sem disfarce – pensou ele.
Sua vida tinha sido descontrolada, sua família estava em piloto automático, e ele tinha uma longa estrada pela frente se as quisesse conquistar novamente.
Agora que a névoa havia se dissipado, ele estava disposto a tentar, e este passou a ser o objetivo mais importante de sua vida.

Equipe de Redação do Momento Espírita, a partir do texto “Quadro familiar”, de Ronaldo José Lungatto.

http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=708&stat=3&palavras=familiar&tipo=t

A importância das pessoas ::


 Dívida e Resgate


Tudo aconteceu no século XVIII. Ano de 1769.
Na grande fazenda, na Casa Grande, uma jovem extremamente bela planejava algo terrível.
Ela descobrira que seu noivo começara olhar de forma mais demorada para sua prima, Tereza Cristina.
Mas, pensava ela, de modo algum, Tereza Cristina me tirará o noivo, que é meu, só meu.
Seus sonhos de moça apaixonada não seriam destruídos pela prima.
Maria Amélia pensou muito durante toda a noite. No dia seguinte marcou um passeio a cavalo com Tereza Cristina.
Lembrou-se que, às margens do rio, havia abelhas mortíferas que, dias antes, tinham acabado com dois bois desprevenidos.
Era só colocar a prima ao alcance delas.
Mas como?
Surgiu então o plano. Assustar-lhe o cavalo, no local mais próximo às abelhas. A outra nada sabia a respeito da região perigosa. Maria Amélia dispararia a arma entre as patas do animal que, com certeza, a jogaria ao chão.
Depois, ela mesma se retiraria do local e pronto... tudo terminaria.
No dia seguinte, saíram as duas a passear. Quando se aproximaram da zona perigosa, Maria Amélia disparou a arma. O cavalo de Tereza Cristina empinou. A jovem caiu com um grito de dor.
Maria Amélia pôde ouvir o zumbido ameaçador das abelhas chegando. Golpeou seu próprio animal, afugentou a outra montaria e se afastou bem depressa.
De longe, pôde ouvir os gritos de Tereza Cristina sendo atacada pelas abelhas terríveis.
Mais tarde, o corpo da jovem foi encontrado. Estava deformado. Tudo pareceu um infeliz acidente.
O tiro que Maria Amélia disparou ninguém ouvira. Todos acreditaram que ela escapara, por milagre, e sua prima não tivera a mesma sorte.
*   *   *
O tempo passou. Duzentos anos depois, no ano de 1969, na cidade de Uberaba, em Minas Gerais, os jornais traziam uma manchete: Abelhas voltam a atacar. Moça morre em um piquenique.
A notícia esclarecia que várias moças, reunidas em um piquenique, às margens de um riacho, tinham sido atacadas por abelhas ferozes.
Uma delas, a mais atingida, morrera num dos hospitais da cidade, enquanto era atendida pelos médicos.
Era Maria Amélia reencarnada. A Justiça Divina a alcançava agora, para resgatar sua dívida.
Sem necessidade de que ninguém servisse de intermediário, nem se tornasse seu algoz ou seu carrasco.
O povo diz que a justiça de Deus tarda, mas não falha. Na verdade, ela nunca chega tarde.
Chega sempre no tempo exato. No momento em que o Espírito, consciente dos erros que praticou, se dispõe ao resgate.
Realmente, nunca falha e jamais atinge pessoas inocentes. Nunca cobra além do que a pessoa deve.
Deus, que é justiça, é também misericórdia.
*   *   *
Se estamos sofrendo dores físicas ou morais, pensemos que chegou o nosso momento do reajuste.
Ninguém padece sendo inocente. Ninguém colhe o que não semeou.
Ajustemo-nos, assim, à Lei, sofrendo sem reclamar, com dignidade. Sem revolta e sem comodismo, porque as almas vencedoras são as que vencem a luta, por combaterem o bom combate até o fim.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 33 do livro Histórias da vida, pelos Espíritos Hilário Silva e Valerium, psicografia de Antonio Baduy Filho, ed. Ide.
Em 03.07.2009.

A importância das pessoas ::


 Problemas na convivência 


Conta-se que, há muitos e muitos anos, durante uma Era glacial, quando parte da Terra esteve coberta por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio e morreram.
No entanto, um grande grupo de porcos-espinhos buscou uma maneira diferente para enfrentar o frio e sobreviver.
Os animais concordaram em unir-se, ajuntar-se mais e mais na tentativa de se protegerem mutuamente. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro e, todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se e aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno rigoroso.
Porém, a tentativa não durou por muito tempo. Os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que forneciam mais calor, aquele calor que era, naquele momento, questão de vida ou morte.
E, por esse motivo, afastaram-se feridos, magoados, sofridos. Distanciaram-se uns dos outros por não suportarem por mais tempo os espinhos dos seus semelhantes, porque, afinal, doía muito...
Mas essa não foi a melhor solução...
Longe uns dos outros, separados entre si, logo começaram a morrer congelados.
Todavia, os mais espertos decidiram se reaproximar pouco a pouco, com jeito, com muito cuidado, de tal forma que, unidos, cada qual conservasse uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem machucar, sem se causarem ferimentos recíprocos.
E foi assim que, suportando-se uns aos outros, resistiram à longa Era glacial e sobreviveram...
*   *   *
A fábula é singela, mas traz em seu conteúdo motivo de profundas reflexões, se comparada à nossa convivência diária.
O ser humano é um ser gregário, ou seja, criado para viver em sociedade.
Se assim não fosse, Deus, que é a Inteligência Suprema do Universo, teria distribuído os indivíduos de maneira que cada qual ficasse isolado, sem nenhum contato.
Mas, então, por que razão a convivência é tão difícil?
Fazendo uma comparação com os animais da fábula, talvez cheguemos à conclusão de que a dificuldade está justamente em nossos espinhos morais e em nosso egoísmo.
Porque ainda somos muito egoístas, não aceitamos que as pessoas, com as quais convivemos, ajam de maneira diferente daquela que nós queremos que ajam.
Queremos moldá-las à nossa maneira de pensar, de agir, de falar, de se portar, e, até mesmo, de se vestir.
E quando essas pessoas não aceitam a nossa ingerência em suas vidas, ficamos ofendidos e nos afastamos.
Fazemos isso tão naturalmente que nem nos damos conta de como estamos ferindo os outros com a nossa forma de ser e de agir.
Mas, se o mesmo acontece conosco, imediatamente nos colocamos na defensiva, repelindo qualquer tentativa que alguém faça para nos moldar ao seu gosto.
E para sobreviver num contexto desses, é preciso exercitar a tolerância para não ferir os outros e nem ferir-se.
É preciso manter o respeito pelo semelhante, aceitando-o como ele é, e não como nós gostaríamos que fosse.
É preciso que tomemos um pouco mais de cuidado com nossos próprios espinhos, a fim de não ferirmos ninguém.
Agindo assim, todos sobreviveremos e, ao final, teremos aprendido muito uns com os outros, pois, embora essa convivência nos traga um certo desconforto íntimo, ela é necessária para o nosso crescimento mútuo.
*   *   *
Jesus desce ao convívio das criaturas frágeis e delinquentes, sem destacar-lhes as chagas vivas, não obstante guardar entre elas o objetivo de iluminar-lhes o roteiro.
Redação do Momento Espírita com base em fábula.
Em 04.01.2010.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A importância das pessoas ::

RECIPROCIDADE
Emmanuel


 
O discípulo abeirou-se do orientador e queixou-se magoado: - Instrutor amigo, o pior de tudo em meu aprendizado é adquirir a ciência do relacionamento.
Creio estar lutando inutilmente contra a animosidade alheia... Auxilie-me, por favor.
De que modo agir para viver com a intolerância e com o azedume dos outros?
O mentor refletiu, por alguns momentos, e esclareceu:
- Sim a indagação é justa. Mas para que tenhamos uma resposta clara, é importante considerar que os outros, igualmente, precisam viver contigo.


Livro Caminho - Francisco Cândido Xavier - Emmanuel - André Luiz

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ação da prece ::

O Poder da Prece

Octávio Caúmo Serrano

Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num armazém, aproximou-se do proprietário, conhecido pelo seu jeito grosseiro, e lhe pediu fiado alguns mantimentos. Ela explicou que o seu marido estava muito doente e não podia trabalhar e que tinha sete filhos para alimentar.
O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento.
Pensando na necessidade da sua família ela implorou: “Por favor senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu tiver...”, ao que ele respondeu ela não tinha crédito e nem conta, na sua loja.
Em pé, no balcão ao lado, um freguês que assistia à conversa entre os dois, se aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a sua família, por sua conta.
Então, o comerciante falou, meio relutante, para a pobre mulher: “Você tem uma lista de mantimentos?” “Sim”, respondeu ela. “Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe darei em mantimentos”. A pobre mulher hesitou, por uns instantes, e, com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou, suavemente, na balança. Os três ficaram admirados, quando o prato da balança, com o papel, desceu e permaneceu embaixo. Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se, lentamente, para o seu freguês e comentou contrariado: “Eu não posso acreditar!”. O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança. Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou colocando mais e mais mantimentos, até não caber mais nada. O comerciante ficou parado, ali, por uns instantes, olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido. Finalmente, ele pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado, pois não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia:
“Meu Senhor, o Senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando isto em suas mãos...”
O homem deu as mercadorias para a pobre mulher, no mais completo silêncio, que agradeceu e deixou o armazém. O freguês pagou a conta e disse: “Valeu cada centavo...”
Só mais tarde, o comerciante pôde reparar que a balança havia quebrado. Entretanto, só Deus sabe o quanto pesa uma prece...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Amai os vossos inimigos ::

A LIÇÃO INESQUECÍVEL
Neio Lúcio
 
   
Hilda, menina abastada, diariamente dirigia más palavras à pequena vendedora de doces que lhe batia humildemente à porta da casa.

- Que vergonha! De bandeja! De esquina a esquina! Suma daqui! - gritava, sem razão.
 
A modesta menina se punha pálida e trêmula. Entrementes, a dona da casa, tentando educar a filha, vinha ao encontro da pequena humilhada e dizia bondosa:
 
- Que doces tão perfeitos! Quem os fez assim tão lindos?
 
A mocinha, reanimada, respondia, contente:
 
- Foi a mamãe.
 
A generosa senhora comprava sempre alguma coisa e, em seguida, recomendava à filha:
 
- Hilda, não brinques com o destino. Nunca expulses o necessitado que nos procura. Quem sabe o que sucederá amanhã?
 
A menina resmungava e, à noite, ao jantar, o pai secundava os conselhos maternos, acrescentando algo:
 
- Não zombes de ninguém, minha filha! O trabalho, por mais humilde, é sempre respeitável e edificante. Aqueles que socorremos serão provavelmente os nossos benfeitores.
     
Mas,no dia seguinte, Hilda fustigava a vendedora, exclamando:
 
- Fora daqui! Bruxa! Bruxa! ...
 
E a mãe de Hilda sempre acolhia a pequena.
 
Correu o tempo e, depois de quatro anos, o quadro da vida se modificara.
 
O paizinho de Hilda adoeceu e debalde os médicos procuraram salvá-lo. Morreu numa tarde calma, deixando o lar vazio.
 
A viúva recolheu-se ao leito extremamente abatida e, com as despesas enormes, em breve a pobreza e o desconforto invadiram-lhe a residência. A pobre senhora mal podia mover-se.
 
Privações chegaram em bando. A menina, anteriormente abastada, não podia agora comprar nem mesmo um par de sapatos.
 
Aflita por resolver a angustiosa situação, certa noite Hilda chorou muitíssimo, lembrando-se do papai.
 
Oh! Papai... Meu papai...
 
Dormiu, lacrimosa e sonhou que ele vinha da Espiritualidade confortá-la.
 
-Papai...Papai...
 
-Minha filha!
 
Ouviu-o dizer, perfeitamente:
 
- Não desanimes, minha filha! Vai trabalhar! Vende doces para auxiliar a mamãe! ...
 
Despertou, no dia imediato, com o propósito firme de seguir o conselho.
 
Ajudou a mãezinha enferma a fazer muitos quadradinhos de doce-de-leite e, logo após, saiu a vendê-los. Algumas pessoas generosas compravam-nos com evidente intuito de auxiliá-la, entretanto, outras criaturas, principalmente meninos perversos, gritavam-lhe aos ouvidos:
 
- Sai daqui! Bruxa de bandeja! ...
 
Sentia-se triste e desalentada, quando bateu à porta de uma casa modesta. Graciosa jovem atendeu.
 
- você Hilda ?
 
- Oh! Eu...
 
Hilda esperava ser maltratada por vingança, já que era a jovem que noutro tempo vendia cocadas.
 
- Que doces tão perfeitos! Quem os fez assim tão lindos?
 
A interpelada lembrou os ensinamentos maternos de anos passados e informou:
 
- Foi a mamãe.
 
A ex-vendedora comprou quantos quadradinhos restavam na bandeja e abraçou-a com sincera amizade.
 
Desse dia em diante, a menina vaidosa transformou-se para sempre. A experiência lhe dera inesquecível lição.
 
 
Livro A Vida Fala III. Psicografia de Francisco C. Xavier.